quinta-feira, 7 de junho de 2007

A torre

Sentado à carruagem das últimas almas que toma sempre o caminho mais curto, o enforcado pensa em magia. Ele sabe que é magia. Pensa pra si mesmo:
Precognition, fortune-telling, future-telling, pre-telling...
E então, ele vê o passado, o seu passado. O momento em que os caminhos se dividiram.
Um beijo e um adeus. Um beijo corrompido pelos anjos. Não pode haver futuro se não houver passado: o enforcado (ou será o mago?) procura a virgem. Ele sabe que está errado. Que há algo errado. A virgem se casará com o herói do amor. Mas que amor?

O enforcado (ou o mago?) conta à virgem o seu papel. E o papel que seria representado pelo herói do amor, desde que o amor seja o esperado pelos anjos. O papel do carpinteiro. Outro Filho como o primeiro e eles vencem a guerra.

Mas que anjo profanou aquele beijo? O anjo do amor que os anjos não esperam? O herói do amor como profanador? A guerra continua?

Mas tudo isso foram apenas as primeiras imagens que o enforcado teve do futuro.
Com a guerra ganha - por que lado? -, o mundo único, haveria um conselho único, que o mago previu.

Pois foi ao encontro da rainha-criança e aconselhou-a a ser por si.
A sua vontade é mais forte que a dos seus. Ela é diferente.
E a rainha-criança seria do mundo. Rancor entre os seus. Seu amor sentiu que perdia-a e se tornou mais sombrio, enquanto o mundo passava a brilhar mais.

O enforcado-mago continuou caminhando, e a visão do enforcado caiu sobre outros.

Aquele que tudo que vale a pena ter tinha, tudo perdeu - menos a si mesmo. E se tornou o líder. Caminhou entre os homens e os liderou, viu a realidade da servidão, mas manteve seus olhos num só pico. Sem vingança, sem desespero. Só liberdade.

Outro, manteve os poucos que o encontraram em fé. Verdadeira fé. Compartilhou a paz em si e lutou pelo melhor que poderia conseguir para todos, sob a nova era. Encontrou também, o destino na mulher que acreditava, até que o fanatismo de uns os engoliu.

O enforcado abandonou a carruagem das últimas almas e seguiu andando. Pois aquele era o futuro e podia não haver outro.

Mas havia mais. Havia o homem que escrevia tudo. E que deixaria a história contada. Mas seria apagado junto com ela.

Percebeu o enforcado que, no fim, só o enforcado-mago saberia. E que havia muito mais.
Seus olhos buscaram o resto, buscaram os outros, buscaram os mesmos. Mas o futuro só mostrava de si o que queria. Só a história que queria.

O enforcado não viu mais nada.

Ao retornar a si e ao seu tempo, se lembrou:
E o meu amor?


STARDATE: -316430.3

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