domingo, 17 de junho de 2007

Notas

Como eu demorei a conseguir logar, só vou anotar o que tenho que postar:

#Sobre o babaca metido a intelectual na banca de jornal;

#Sobre meu novo contato pró-intercâmbio além-mar;

#Sobre o período que tá acabando;

#Sobre rever ou voltar a falar com velhos amigos;

#Mais alguma coisa?

default date-time: 17/06/07 - 03:25

quinta-feira, 7 de junho de 2007

A torre

Sentado à carruagem das últimas almas que toma sempre o caminho mais curto, o enforcado pensa em magia. Ele sabe que é magia. Pensa pra si mesmo:
Precognition, fortune-telling, future-telling, pre-telling...
E então, ele vê o passado, o seu passado. O momento em que os caminhos se dividiram.
Um beijo e um adeus. Um beijo corrompido pelos anjos. Não pode haver futuro se não houver passado: o enforcado (ou será o mago?) procura a virgem. Ele sabe que está errado. Que há algo errado. A virgem se casará com o herói do amor. Mas que amor?

O enforcado (ou o mago?) conta à virgem o seu papel. E o papel que seria representado pelo herói do amor, desde que o amor seja o esperado pelos anjos. O papel do carpinteiro. Outro Filho como o primeiro e eles vencem a guerra.

Mas que anjo profanou aquele beijo? O anjo do amor que os anjos não esperam? O herói do amor como profanador? A guerra continua?

Mas tudo isso foram apenas as primeiras imagens que o enforcado teve do futuro.
Com a guerra ganha - por que lado? -, o mundo único, haveria um conselho único, que o mago previu.

Pois foi ao encontro da rainha-criança e aconselhou-a a ser por si.
A sua vontade é mais forte que a dos seus. Ela é diferente.
E a rainha-criança seria do mundo. Rancor entre os seus. Seu amor sentiu que perdia-a e se tornou mais sombrio, enquanto o mundo passava a brilhar mais.

O enforcado-mago continuou caminhando, e a visão do enforcado caiu sobre outros.

Aquele que tudo que vale a pena ter tinha, tudo perdeu - menos a si mesmo. E se tornou o líder. Caminhou entre os homens e os liderou, viu a realidade da servidão, mas manteve seus olhos num só pico. Sem vingança, sem desespero. Só liberdade.

Outro, manteve os poucos que o encontraram em fé. Verdadeira fé. Compartilhou a paz em si e lutou pelo melhor que poderia conseguir para todos, sob a nova era. Encontrou também, o destino na mulher que acreditava, até que o fanatismo de uns os engoliu.

O enforcado abandonou a carruagem das últimas almas e seguiu andando. Pois aquele era o futuro e podia não haver outro.

Mas havia mais. Havia o homem que escrevia tudo. E que deixaria a história contada. Mas seria apagado junto com ela.

Percebeu o enforcado que, no fim, só o enforcado-mago saberia. E que havia muito mais.
Seus olhos buscaram o resto, buscaram os outros, buscaram os mesmos. Mas o futuro só mostrava de si o que queria. Só a história que queria.

O enforcado não viu mais nada.

Ao retornar a si e ao seu tempo, se lembrou:
E o meu amor?


STARDATE: -316430.3

sábado, 2 de junho de 2007

I said "it's only natural..." / My best enemy

Estar só é natural pra mim.
Eu já havia percebido que era comum... frequente... quase constante. Mas é mais. Solidão é algo de essência. Eu ajo naturalmente quando estou - ou me sinto - só. Quer dizer, se não há ninguém que eu conheça por perto, ou se eu não estou ligando muito mesmo que haja, tanto faz o que eu faço, me sinto tranquilo, livre, pra agir como quiser. Pra agir de qualquer jeito. Falar sozinho - eu falo sozinho -, fechar o sobretudo e levantar a gola atrás, cantar, ou fingir que não sou eu mesmo.
Tanto faz. O que eu quiser.

Quando não estou sozinho, fico agoniado, não sei onde colocar as mãos, sinto meu rosto escorrendo, e gaguejo - social skills? - falo errado mesmo. Se você é psicólogo e está lendo isso (ou se dá um aqueles cursos de auto-ajuda) pode deixar o contato nos comentários (mas eu não vou nem olhar - muito porque eu sou pão-duro e um pouco porque acho babaquice mesmo).
Agora se você é psicóloga, posso olhar o contato com mais carinho.
Lack of selfconfidence?
Certamente. Notei isso uns dias atrás. É um problema sério que eu tenho. A viagem deve ajudar. Eu disse deve - (may). Um outro problema que eu tenho é mudar muito de assunto no meio dos posts.
Sinceramente. Acabo de perceber uma coisa ruim em não ter mais a fama de ser "o melhor".
Quer dizer, mesmo antes, eu já sentia que não tinha mais isso - ou melhor, eu não sentia que tinha.

Quando se tem que lutar por simples sobrevivência acadêmica a rivalidade fica em segundo plano. Na verdade é mais que isso. Falta freqüência hormonal e reconhecimento de si mesmo na figura do outro. É isso que gera rivalidade. Isso não precisa de palavras. Não precisa de olhares furiosos ou ar de superioridade. É algo que você e seu rival sabem, tão natural quanto o ar que respiram. E é impregnado no ar dos outros.

Rivalidade não é querer que o outro se dê mal, pelo contrário, é querer que ele se dê muito bem e apenas que você vá ainda melhor, e não se sentir derrotado quando ficar atrás - buscar o próximo embate!

Um rival caído, um que abandone a briga, não é um bom rival. Deve haver uma chama acesa o tempo todo. No fundo no fundo, um bom rival é um ente amado e quando não houver mais pelo que competir, ele será eternamente lembrado pelo seu valor.

Eu tive alguns rivais ao longo da vida. Estou falando dos bons. Os de verdade. Hoje já não tenho mais. Simplesmente não tenho mais a mesma paixão por competir que antigamente. Era bom. Dá um sentido a vida. Algo com que se preocupar que é ao mesmo tempo produtivo e revigorante.

Certa vez, havia dois garotos que eram os melhores amigos e piores inimigos (leia-se "rivais"). Nenhum dos dois jamais admitia que não sabia algo que o outro soubesse. Nenhum dos dois se deixava ficar pra trás. Mesma classe e grupo de amigos, gostos muito parecidos, talvez até mesma menina dos olhos. Alguns diziam que eles podiam ler a mente um do outro. Saber o que o outro estava pensando o tempo todo. Se comunicar assim.

Os garotos cresceram e não se vêem mais. A vida os separou logo. No fundo, eles eram totalmente diferentes. Juntos, desnecessários - ou seria perigosos? - pro mundo. Sempre o foram.
# Marina Person falando de cinema com Adriane Galisteu = Marina Person perdendo tempo.
Sério, a Galisteu vai saber o que é Laranja Mecânica? Provavelmente, o filme favorito dela é o último que ela viu - isso como principal critério. E provavelmente é com o The Rock ou a Xuxa.
É pior: o programa da Galisteu passa de madrugada! Nem pra Marina aparecer (mais) na mídia serve.
Marina, sinceramente, por que você aceitou isso?

# Agora, já posso terminar de ler Hellblazer #41 e ir dormir...

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sexta-feira, 1 de junho de 2007

Consciência

BASSANO, Jacopo - 1570-73; Oil on canvas, 77 x 109 cm; Galleria Doria-Pamphili, Rome

No blog de Mino Carta, diretor de redação da CartaCapital, achei o texto abaixo, simples e muito bem sacado, entre outros de excelência comparável:
Expulsão por consciência

Não sei como alocar na minha classificação das razões da imbecilização progressiva do mundo a persistência na grande aceitação da teoria do criacionismo. Por exemplo, larga parte da população dos Estados Unidos acredita que Deus criou o universo em seis dias e no domingo repousou. O Papa Bento XVI, do alto de suas mimosas pantufas, abençoou os crentes nas propriedades mágicas da costela de Adão, da qual milagrosamente nasceu a mulher, bem como na serpente do Paraíso Terrestre e na maçã do pecado. E assim por diante. Agora, observem a imponência da tarefa a que me submeto. Onde colocar a teoria do criacionismo na minha tabela: em terceiro lugar, em quarto, em décimo? Padeço de tormentos lancinantes, justificados pelo senso de responsabilidade e de justiça de que sou imbuído. De todo modo, alego mais um motivo para candidatar-me à excomunhão: creio, de minha parte, que o homem foi expulso do Paraíso Terrestre no exato instante da tomada da consciência. Foi quando se deu conta da sua existência e em vão levantou os olhos ao céu em busca de uma explicação.
In 'Blog do Mino', 22/05/2007 - link direto

# Enquanto isso, a greve dos funcionários da UFJF já resolveu pelo menos um problema: ninguém mais pode reclamar das filas do Restaurante Universitário. Hoje, na hora do almoço, passei por ambas as unidades e não se via viva alma! "Infelizmente", quando a greve acabar, o RU volta a funcionar e com as filas.

# Melhoras pra Yukari, uma simpática japonesa universitária intercambista, vítima dos disturbios sociais do nosso país.

STARDATE: -316415.45